Depois da Corrida (4)
He wonders if he can take back some of his past
Tartaruga, no momento em que o Coelho era recolhido da sarjeta pelo filho, estava em um avião exclusivo para ela e sua banda. Era sua segunda turnê mundial. Já estivera em 15 clínicas de reabilitação, nenhuma por mais de 26 horas. Tivera 10 overdoses, duas brigas de faca, cortara os pulsos e lançara mais dois CDs. Era o epítome do punk na Floresta, com seu moicano e roupas rasgadas.
Não percebia que era apenas um boneco na mão da mídia. Não percebia que já havia perdido sua essência. Não percebia que, apesar das noitadas, dos shows e das drogas serem ofuscantes, não o satisfaziam. Estava cego.
Outras nove primaveras se passaram antes que os dois adversários se encontrassem. Foi um momento tenso. Coelho, já formado, saía do escritório de advocacia onde trabalhava e Tartaruga, completamente drogado, passava por ali, acompanhado por uma mulher de vida fácil.
O réptil reagiu encarando agressivamente seu Coelho. Foi ignorado; Coelho já encontrara a paz, não culpava Tartaruga ou mesmo sentia desejo de brigar. “Deus lhe abençoe, filho” foi tudo o que disse. “Deus lhe abençoe”.
É neste ponto que a lenda começa. Tartaruga, ao ouvir aquela voz calma e rouca, teria tido uma visão: uma luz ofuscante o envolvia, aquecendo-o e acalentando-o, e ouvira a voz de sua falecida mãe. Quando acordou, estava em uma UTI de alta tecnologia, com o antigo adversário a seu lado.
A vida da estrela de rock mudou para sempre depois do acontecimento. Largou as drogas, a prepotência e as relações superficiais e descartáveis. Retomou contato com o pai, já idoso e sozinho no mundo, e com os 2 irmãos. Criou uma ong para ajudar as famílias pobres da Floresta (ele mesmo já havia estado naquela situação), que ensinava profissões aos pais e custeava a faculdade dos filhos, baseado no histórico escolar.
E assim acaba a nossa história. Como qualquer outra, cheia de reviravoltas, descobertas, arrependimentos e amadurecimentos. Não direi que todos foram felizes para sempre, porque esta não é uma fábula com moral. É apenas um conto.
Maíra Carvalho, 05/12/07
2 Comentários até o momento
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M E U
que final mais….fabuloso!!!
‘“Deus lhe abençoe, filho” foi tudo o que disse. “Deus lhe abençoe”.’
passei mal nessa parte . Tipo, o Coelho não tinha mais raiva nem nada, superou aquela fase, mudou, evoluiu … E com essa pequena frase a Tartaruga mudou também, ela percebeu que o que ela pensava estar vivendo não era o que ela realmente queria *-* Owwwwn, adorei *-*
Maíra Carvalho pra escritora já
Comentário por Aninha Dezembro 5, 2007 @ 5:24 pmFoi um momento tenso. Coelho, já formado, saía do escritório de advocacia onde trabalhava… Coelho já encontrara a paz, não culpava Tartaruga ou mesmo sentia desejo de brigar.
Os advogados são sempre muito espertos (not).
Mas o Seu Coelho é um mestrezinhoo
Comentário por Mariana Gracita Dezembro 6, 2007 @ 5:04 pmLindo lindo