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Pedro era um bom rapaz: honesto, responsável, bom aluno da faculdade e esportista. Era bonito também, com os olhos azuis-piscina e o corpo bem torneado da natação. O problema de Pedro era um só: ele era gay.
- Bom dia, mãe. – disse, pegando um pedaço de torrada e sentando.
- Dia, querido. – ela respondeu, colocando a jarra de café na mesa.
E, é claro, seus pais não sabiam. Tudo era muito recente.
Bebeu o café de um gole, enfiou o resto de torrada na boca e saiu, o cabelo ainda despenteado. Estava atrasado para a aula de Direito Constitucional, o que lhe lembrava de mais um problema. Você já ouviu falar de muitos advogados procurados e badalados que fossem gays? Pedro não.
- E aí? – Gustavo, seu melhor amigo, o encontrou na entrada do prédio e o cumprimentou sorrindo.
- E aí nada. E tu? – Pedro respondeu, com um tapinha nas costas do moreno.
- Nada também.
Ah, e Pedro acreditava estar apaixonado por Gustavo, que não dava nenhum sinal de jogar no outro time. Estava muito ferrado. Devia logo era cortar os pulsos e acabar com essa viadagem (com o perdão do trocadilho).
Os dois conseguiram entrar na sala para o primeiro período cinco segundos antes do professor entrar. Abriram os cadernos e, por duas horas, Pedro esqueceu os abacaxis que carregava.
O pior é que não adiantava nem discutir: ele era gay, gostava de meninos, era atraído e atraía meninos. Era um bicha, uma drag queen, uma boneca, uma menina, que fosse. Apenas e tão-somente por isso, ele iria bater de frente com tanta gente, sofrer tanto, ser ameaçado de ir para o inferno e tachado de “anormal”.
Talvez ele devesse se envolver com moda. Ou teatro.
[continua...]