01.26.08
My my my, it’s a beautiful world…
Ele tinha muito na cabeça. Coisa demais. Desenhava, pintava, tocava violão, falava, filmava e escrevia, principalmente; estava sempre fazendo algo para expressar o que lhe passava pela cabeça. Não adiantava muito, para falar a verdade. Criava mais do que conseguia expressar.
Ele criava personagens que nunca usava em nenhuma histórias. Trechos e mais trechos, que normalmente não eram incorporados a nenhuma narrativa. Roteiros inteiros que nunca eram escritos ou filmados. Dramas que nunca eram levados ao público. A complexidade humana era grande demais para ele.
Desenhava, tentando captar a essência de algo que havia visto ou imaginado; às vezes conseguia, às vezes não. Filmava, tentando expressar pela sétima arte situações, personagens e emoções que sua mente criava; normalmente não conseguia. Escrevia abundantemente, e nunca era suficiente.
Nunca sabia se estava fazendo algo de qualidade. A linha que separava uma obra-prima de uma bela porcaria lhe era desconhecida. Ele continuava tentando, mesmo assim, desvendar a essência das coisas. O que fazia alguém ser cativante, o mistério do sorriso da namorada, o medo da morte e a dor da perda, da saudade e da despedida; tudo era campo de estudo. O brilho dos olhos de quem conquistava algo, a simplicidade de uma amizade sincera; o mundo era vasto demais.
Tinha consciência que, com o tempo, ele progredia. Ainda assim, as palavras que achavam para escrever nunca eram as exatas; a linha que desenhava nunca era a que queria traçar; a música que cantava nunca era expressava o que queria do jeito que ele queria. Mas ele não desanimava. Um dia conseguiria a história perfeita, o filme perfeito, o desenho perfeito.
xam disse,
Janeiro 27, 2008 às 6:15 pm
“A linha que separava uma obra-prima de uma bela porcaria lhe era desconhecida.”
Alguém conhece essa linha?