Well, everybody, há três fichamentos postados aqui no blog. Um deles, o da hofling, é do penúltimo módulo, se eu não me engano, e os outros dois são deste último módulo.
DICA QUENTE (ui!) : Para quem quiser ler os textos, sugiro a seguinte ordem: primeiro o que está na xérox, que é basicamente de estatísticas e não é difícil de ler; depois o texto em pdf “educação para competitividade ou cidadania social?”, que vai tratar de poucos conceitos, e não é muito denso. Então, leiam “o ensino superior brasileiro nos anos 90″, que possui mais estatísticas, mais conceitos e é o maior deles, e na minha opinião, o mais trabalhoso de ler bem. Por último, leiam o que está em doc. Este último é uma palestra, e basicamente faz uma pincelada no penúltimo texto que recomendei, e traz só uma coisinha nova no final. Depois de ter lido o penúltimo, quando fui ler a palestra, foi tão fácil que li as 9 páginas em exatos 10 minutos
Sem falar que você entende muito melhor essa palestra depois de ter lido o outro texto.
Enfim, queridos, é só. De nada a quem aproveitar, é um prazer ajudar
PS: Me diz se eu não sou uma pessoa muuuito legal?
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ESTADO E POLÍTICAS (PÚBLICAS) SOCIAIS
ELOISA DE MATTOS HÖFLING
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Para melhor compreensão e avaliação das políticas públicas sociais implementadas por um governo, é fundamental a compreensão da concepção de Estado e de política social que sustentam tais ações e programas de intervenção. Visões diferentes de sociedade, Estado, política educacional geram projetos diferentes de intervenção nesta área;
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Diferenciação entre Estado e governo;
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Políticas públicas
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-“Estado em ação”
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- Responsabilidade do Estado;
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- O Estado implantando um projeto de governo, através de programas, de ações voltadas para setores específicos da sociedade;
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Políticas sociais
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- Usualmente entendidas como as de educação, saúde, previdência, habitação, saneamento etc.;
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- Ações que determinam o padrão de proteção social implementado pelo Estado;
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- Redistribuição dos benefícios sociais visando a diminuição das desigualdades estruturais;
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- Raízes nos movimentos populares do século XIX, voltadas aos conflitos surgidos entre capital e trabalho;
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As políticas sociais – e a educação – são formas de interferência do Estado, visando a manutenção das relações sociais de determinada formação social.
- Portanto, assumem “feições” diferentes em diferentes sociedades e diferentes concepções de Estado
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Claus Offe
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- A análise do Estado: 1) a partir de uma perspectiva de classe 2) como uma esfera da sociedade que concentra e manifesta as relações sociais de classe, onde conflitos ocorrem
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- Para o autor, o Estado atua como regulador das relações sociais a serviço da manutenção das relações capitalista em seu conjunto, e não especificamente a serviço dos interesses do capital – a despeito de reconhecer a dominação deste nas relações de classe.
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- Como o Estado capitalista atua para preservar as relações no conjunto da sociedade de classes? Quais as relações de interesses na determinação das ações do Estado? Enfim, como se originam, a partir de que movimentos de interesses surge a política social do Estado capitalista?
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- O Estado capitalista moderno cuidaria não só de qualificar permanentemente a mão-de-obra para o mercado, como também, através de tal política e programas sociais, procuraria manter sob controle parcelas da população não inseridas no processo produtivo;
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- O sistema de acumulação capitalista engendra em seu desenvolvimento problemas estruturais relativos à constituição e reprodução permanente da força de trabalho e à socialização desta através do trabalho assalariado. O Estado deve “responder” a estes problemas.
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- Os problemas de um país não vão ser resolvidos apenas pela ação do Estado ou do mercado. É preciso um novo pacto, que resolve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta a liberdade do mercado e da competição econômica e, para evitar o conflito entre esses dois interesses, permita a influência de entidades comunitárias.
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- Parece ser mais fecundo interpretar a política educacional estatal sob o ponto de vista estratégico de estabelecer um máximo de opções de troca para o capital e para a força de trabalho, de modo a maximizar a probabilidade de que membros de ambas as classes possam ingressar nas relações de produção capitalistas.
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As teorias políticas liberais concebem as funções do Estado essencialmente voltadas para a garantia dos direitos individuais, sem interferência nas esferas da vida pública e, especificamente, na esfera econômica da sociedade.
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A concepção neoliberal de sociedade e de Estado se inscreve na – e retoma a – tradição do liberalismo clássico, dos séculos XVIII e XIX.
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“menos Estado e mais mercado”;
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individualismo;
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capitalismo competitivo – liberdade econômica;
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políticas (públicas) sociais – entrave ao desenvolvimento e responsável por crise;
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Estado deve dividir responsabilidades com o setor privado (ex: cupons para educação);
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Em um Estado de inspiração neoliberal as ações e estratégias sociais governamentais incidem essencialmente em políticas compensatórias, em programas focalizados, voltados àqueles que, em função de sua “capacidade e escolhas individuais”, não usufruem do progresso social. Tais ações não têm o poder – e freqüentemente, não se propõem a – de alterar as relações estabelecidas na sociedade.
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Penso que uma administração pública – informada por uma concepção crítica de Estado – que considere sua função atender a sociedade como um todo, não privilegiando os interesses dos grupos detentores do poder econômico, deve estabelecer como prioritários programas de ação universalizantes, que possibilitem a incorporação de conquistas sociais pelos grupos e setores desfavorecidos, visando à reversão do desequilíbrio social.
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Mais do que oferecer “serviços” sociais – entre eles a educação – as ações públicas, articuladas com as demandas da sociedade, devem se voltar para a construção de direitos sociais.
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EDUCAÇÃO PARA A COMPETITIVIDADE OU PARA A CIDADANIA SOCIAL?
Fernanda A. da Fonseca Sobral
# O objetivo deste artigo é discutir a abordagem contemporânea dada à educação na sociedade brasileira e como esta abordagem está relacionada a certas transformações da sociedade brasileira, nas quais se incluem o processo de globalização e a consolidação da democracia.
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Durkhein: educação como processo de socialização.
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A educação não apenas integra o indivíduo ao meio social, mas também lhe proporciona uma maior capacidade de autonomia e, por isso mesmo, de interferência no meio social.
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A RELACÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADE ATRAVÉS DA HISTÓRIA
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Anos 50 – início 60 : educação como instrumento de mobilidade social
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A educação deveria dar “status” aos indivíduos.
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No período, constatava-se uma passagem de uma ordem social estamental para uma ordem competitiva.
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A educação tinha um papel importante no processo de legitimação pelo grau de abertura da sociedade.
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Durante o governo autoritário: ênfase econômica
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Mostrar a possibilidade de rendimentos oferecida pela educação
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Ideologia desenvolvimentista.
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Meados da década de 60 e nos anos 70: estudos econômicos sobre a educação
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Visão econômica (capital humano, para explicar o investimento em educação, produtividade, taxa de retorno, custos da educação e a concepção de educação enquanto mercadoria) passa à sociedade.
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Mundo: consolidação do sistema capitalista monopolista em contraposição ao sistema socialista.
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Brasil: importância da intervenção do Estado na economia, visando a superação do subdesenvolvimento.
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A partir de 1968, o “milagre econômico brasileiro”.
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Essa era então a função social da universidade: qualificar recursos humanos e produzir conhecimento científico e tecnológico, no sentido de permitir a expansão industrial brasileira.
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Final da década de 70: cidadania
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Brasil : fim do “milagre” e redemocratização;
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Mundo: Estado de Bem Estar Social e queda do Muro de Berlim;
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A educação traria para o indivíduo a sua cidadania no sentido tanto do acesso ao ensino público e gratuito como da sua participação nas diferentes esferas do poder.
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Década de 90: competitividade
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Mundo: globalização e menor intervenção do Estado na economia;
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Crise do welfare state;
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Educação, ciência e tecnologia: tripé para o desenvolvimento;
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O desenvolvimento é obtido através de uma maior competitividade dos indivíduos, das empresas e do país no mercado internacional, bem como através de uma maior participação social dos cidadãos.
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CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO NAS POLÍTICAS PARA OS ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO
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Educação: parte indisponível do esforço para tornar as sociedades mais igualitárias, solidárias e integradas”;
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Preocupação atual do governo com o ensino fundamental;
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É o ensino fundamental que dá a formação básica para o futuro cientista, tecnólogo, técnico ou trabalhador, pois a introdução e a absorção de novas tecnologias características do novo paradigma produtivo exigem, além da formação específica, certos conhecimentos básicos e gerais.
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Um dos maiores problemas do ensino médio no Brasil e que se reflete nas suas políticas é o da sua identidade: oscila entre o ensino propedêutico, cujo objetivo é preparar o aluno para o ensino superior, e a formação profissional, que tende a ser vinculada às necessidades do mercado de trabalho.
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A educação profissional pode se efetuar em três níveis:
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básico, destinado à qualificação, requalificação e reprofissionalização de trabalhadores, independente de qualidade;
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técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos do ensino médio;
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e tecnológico, correspondente a cursos de nível superior na área tecnológica, voltados para egressos dos ensinos médio e técnico.
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Pode-se perceber que a política educacional para o ensino fundamental tem sido pensada prioritariamente na sua dimensão social, enquanto o ensino médio tem sido considerado prioritariamente na sua dimensão econômica
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CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO NAS POLÍTICAS DO ENSINO SUPERIOR E DA PESQUISA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA
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As políticas para o ensino superior têm se orientado por alguns temas: a sua diversificação; a redefinição da sua autonomia; e a avaliação de seu desempenho.
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Diversificação: saída do modelo único, possibilitando que a universidade ofereça formação científica (associando ensino e pesquisa), mas que também instituições de ensino superior possam oferecer formação profissional, tecnológica e formação de professores.
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Definição da autonomia: intenção de diminuir os controles burocráticos e normativos, garantir liberdade de organização dos serviços e execução de tarefas, estabelecendo um controle baseado na avaliação do desempenho.
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As análises recentes sobre a universidade inclinam-se para contextualizá-la dentro de uma “economia do saber”;
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Globalização;
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Transdisciplinariedade;
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Heterogeneidade institucional;
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Maior responsabilidade social do conhecimento;
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Assim, a lógica da diversificação do ensino superior vincula-se à idéia de diversificação da pesquisa universitária, sem que isso signifique, necessariamente, uma desvalorização da universidade – pelo fato de ela estar associada a outras instituições –, nem uma redução da pesquisa acadêmica – pelo fato de ela não ser a única desenvolvida no contexto universitário.
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Se, por um lado, é a busca da competitividade no mundo atual que leva à maior procura do conhecimento e da educação pela sociedade, por outro, é também a democratização da sociedade que demanda uma maior responsabilidade social do conhecimento.
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Massificação do ensino superior -> número grande demais de pesquisadores -> universidades apenas não conseguem absorvê-los -> lugares com competência em pesquisa diversificam-se.
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Brasil: comunidade científica competitiva, porém sem desenvolvimento de tecnologias.
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Proposta de modelo misto desenvolvimento científico tecnológico – união do mercado econômico-social ao mercado acadêmico.
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No que se refere à educação, as dimensões social e econômica não são necessariamente excludentes. A visão utilitarista não pode eliminar a visão humanista.
O ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO NOS ANOS 90
Carlos Benedito Martins
# O objetivo deste artigo é apresentar e discutir determinados aspectos referentes ao sistema de ensino superior brasileiro nos últimos dez anos, particularmente no que diz respeito ao seu crescimento e ao seu processo de diferenciação institucional.
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- Parte do pressuposto que esse subsistema educacional vai ocupar uma posição fundamental na dinâmica dos processos de inovação tecnológica, de produção e difusão da ciência e da cultura, assim como desempenhar um papel estratégico no desenvolvimento socioeconômico do país.
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Acentuado crescimento quantitativo do ensino superior no país nas últimas três décadas.
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Necessidade de combinar esse crescimento quantitativo e a diferenciação institucional com padrões de qualidade acadêmicos e uma contínua avaliação acadêmico-institucional.
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Os diversos sistemas de educação superior, existentes em países que ocupam uma posição destacada no processo de desenvolvimento socioeconômico, apresentam uma forte diversidade institucional e desempenham uma pluralidade de funções na formação acadêmico-profissional.
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Nesses sistemas prevalece uma extensa hierarquia de instituições de ensino com perfis acadêmicos específicos, oferecendo cursos e programas para públicos com diferentes motivações e perspectivas profissionais,
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Assim como procuram manter uma relação de sintonia com as amplas demandas provenientes da dinâmica das mudanças sociais vivenciadas por esses países.
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Esse processo de diferenciação ocorre não apenas no sentido vertical da oferta de formação acadêmico-profissional, mas no plano horizontal, a partir de uma pluralidade de objetivos e conteúdos educacionais – competências e prerrogativas típicas das instituições –, permanecendo, entretanto, um processo de fluidez de comunicação entre os diferentes setores que o integram.
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CRESCIMENTO E DIVERSIFICAÇÃO INSTITUCIONAL DO ENSINO SUPERIOR
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No início dos anos 60
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Cerca de uma centena de instituições, a maioria delas de pequeno porte;
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Voltado basicamente para atividades de transmissão do conhecimento;
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Corpo docente fracamente profissionalizado;
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Vocacionados para a reprodução de quadros da elite nacional, em geral cultivando um ethos e uma mística institucional;
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Abrigavam menos de 100 mil estudantes, com predominância quase absoluta do sexo masculino.
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Processo de mudanças: incorporação de um público mais diferenciado socialmente, o aumento significativo do ingresso de estudantes do gênero feminino, entrada de alunos já integrados no mercado de trabalho e acentuado processo de interiorização e de regionalização do ensino.
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Consagração do modelo universitário;
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Universidades X Estabelecimentos isolados (estes normalmente voltados ao ensino)
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Desigualdades regionais na distribuição das instituições de ensino superior;
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Número superior de universidades privadas;
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Interesse destas em passar de instituições de ensino superior a universidades, por motivos desde marketing até maior autonomia para criar cursos e aumentar número de vagas;
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O destaque das universidades públicas no cenário acadêmico e sua importância para o desenvolvimento do país;
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Crise brasileira do modelo único – que encara como indissolúvel o ensino, a pesquisa e a extensão;
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Autonomia para as instituições;
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Universidades estaduais: à margem;
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AS MATRÍCULAS, OS CURSOS E OS DOCENTES
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Aumento do número de matrículas (1962: 100 mil / 1998: 2,1 milhões)
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Uma vez encerrado esse processo de absorção de novos grupos sociais, acreditava-se que o ensino superior continuaria a se expandir pelo menos no ritmo do aumento populacional. No entanto, não foi isso que ocorreu.
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Década de 60 – 70: crescimento de 540%; década de 80: 10%; 90-93: 3,5%; últimos 4 anos: 28%.
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Tomando como referência o período 1980-1998, as matrículas nas universidades particulares cresceram em torno de 208%, nas universidades municipais, 298% e nas estaduais, 193%.
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As universidades federais apresentaram um crescimento muito pequeno no número de alunos. O que é preocupante, diante do custo do segmento;
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Gargalo para o desenvolvimento do sistema: o desempenho da educação média;
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Crescimento do ensino médio;
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Se a curto prazo o ensino médio ampliar a capacidade de diplomar seus estudantes e as instituições de ensino superior caminharem em direção à maior diversificação de formação profissional e de diplomas, certamente haverá um aumento potencial da demanda que passará a pressionar a expansão do ensino superior no país.
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Predomínio dos cursos tradicionais (direito, medicina, engenharia);
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Pequena porcentagem de docentes mestres e doutores, estando a maioria no ensino público.
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A PÓS-GRADUAÇÃO E SUAS RELAÇÕES COM A GRADUAÇÃO
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Ao lado da expansão da graduação, desenvolveu-se no país, nos últimos 30 anos, um vigoroso sistema de pós-graduação.
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No final da década de 60, a pós-graduação tinha aproximadamente 100 cursos, abrangendo não mais de 2 mil alunos. Atualmente conta com 2.066 cursos cobrindo todas as áreas do conhecimento, vários deles com excelente padrão acadêmico. No ano de 1998 esse sistema possuía 77.641 alunos e foi responsável por 16.455 titulações;
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Ao contrário da graduação, a pós-graduação encontra-se concentrada basicamente nos estabelecimentos públicos (federais e estaduais);
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A pós-graduação atraiu e institucionalizou a pesquisa no interior de algumas universidades e/ou instituições, possibilitou o desenvolvimento de um ethos acadêmico e a constituição da profissão acadêmica no país;
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Tudo leva a crer que a recente expansão dos ensinos de graduação e de pós-graduação foi estruturada a partir de lógicas e práticas acadêmicas bastante distintas.
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Graduação: expansão desordenada, sem planejamento estratégico a longo prazo, controlada pela demanda e oferta do ensino privado – o qual é orientado por critérios de rentabilidade;
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A graduação foi formada a partir de um sistema de créditos, sem um sólido sistema de orientação, onde, em princípio, o aluno deveria escolher as disciplinas;
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Não houve esforços contínuos de implementação de programas para enfrentar esse aumento da demanda, nem para enfrentar a entrada de um público mais diversificado socialmente.
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Resultados: evasão, desperdício de estudantes e disciplinas e resistência à mudanças.
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Ao contrário dessa situação, a pós-graduação cresceu de forma mais planejada e orientada. Ex: os Planos Nacionais de Pós-Graduação;
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Políticas públicas no Brasil – pós-graduação: um dos setores em que o planejamento de médio e de longo prazo tem desempenhado um papel significativo.
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A estrutura acadêmica da pós-graduação foi construída a partir de procedimentos bem-definidos. Acoplou-se o ensino à pesquisa, estabeleceu-se um número limitado de disciplinas articuladas com as respectivas linhas de pesquisa dos cursos. Ao mesmo tempo, criou-se um sistema eficiente de orientação de dissertações e teses.
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Reconhecimento acadêmico da pós-graduação;
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Crença falsa de que o investimento em pós-graduação levaria à uma melhoria na graduação;
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O sistema de ensino superior ocupa uma posição estratégica e fundamental no processo de modernização e de desenvolvimento do país. Tem a função de fornecer quadros profissionais capacitados e pessoal qualificado cientificamente para atender às diversas, e cada vez mais complexas, demandas tanto do setor público quanto do privado, para isso precisando melhorar continuamente seu método de graduação. Necessita também da colaboração de seu sistema de pós-graduação para formar docentes qualificados, pesquisadores e recursos humanos de alto nível.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Expansão contínua do ensino superior desde os anos 90;
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Adultos já inseridos no mercado de trabalho que procuram a universidade para melhorar sua chances profissionais pressionam a demanda;
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A expansão do ensino de graduação foi atendida em grande parte pelo segmento privado;
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Importância do setor público;
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Processo de diversificação institucional;
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Desafios centrais dos dias atuais para o ensino superior brasileiro: formular uma política não direcionada apenas para uma das partes do sistema;
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Um dos pontos de partida para colocar em prática uma política voltada ao conjunto do sistema é o reconhecimento de que ele não é apenas desigual na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão oferecida pelas diferentes instituições. Ele também é um sistema multifacetado composto por instituições públicas e privadas, com diferentes formatos organizacionais e, especialmente, múltiplos papéis e funções locais e regionais, de abrangência nacional e internacional.
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