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EDUCAÇÃO PARA A COMPETITIVIDADE OU PARA A CIDADANIA SOCIAL?
Fernanda A. da Fonseca Sobral
# O objetivo deste artigo é discutir a abordagem contemporânea dada à educação na sociedade brasileira e como esta abordagem está relacionada a certas transformações da sociedade brasileira, nas quais se incluem o processo de globalização e a consolidação da democracia.
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Durkhein: educação como processo de socialização.
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A educação não apenas integra o indivíduo ao meio social, mas também lhe proporciona uma maior capacidade de autonomia e, por isso mesmo, de interferência no meio social.
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A RELACÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADE ATRAVÉS DA HISTÓRIA
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Anos 50 – início 60 : educação como instrumento de mobilidade social
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A educação deveria dar “status” aos indivíduos.
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No período, constatava-se uma passagem de uma ordem social estamental para uma ordem competitiva.
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A educação tinha um papel importante no processo de legitimação pelo grau de abertura da sociedade.
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Durante o governo autoritário: ênfase econômica
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Mostrar a possibilidade de rendimentos oferecida pela educação
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Ideologia desenvolvimentista.
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Meados da década de 60 e nos anos 70: estudos econômicos sobre a educação
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Visão econômica (capital humano, para explicar o investimento em educação, produtividade, taxa de retorno, custos da educação e a concepção de educação enquanto mercadoria) passa à sociedade.
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Mundo: consolidação do sistema capitalista monopolista em contraposição ao sistema socialista.
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Brasil: importância da intervenção do Estado na economia, visando a superação do subdesenvolvimento.
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A partir de 1968, o “milagre econômico brasileiro”.
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Essa era então a função social da universidade: qualificar recursos humanos e produzir conhecimento científico e tecnológico, no sentido de permitir a expansão industrial brasileira.
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Final da década de 70: cidadania
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Brasil : fim do “milagre” e redemocratização;
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Mundo: Estado de Bem Estar Social e queda do Muro de Berlim;
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A educação traria para o indivíduo a sua cidadania no sentido tanto do acesso ao ensino público e gratuito como da sua participação nas diferentes esferas do poder.
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Década de 90: competitividade
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Mundo: globalização e menor intervenção do Estado na economia;
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Crise do welfare state;
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Educação, ciência e tecnologia: tripé para o desenvolvimento;
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O desenvolvimento é obtido através de uma maior competitividade dos indivíduos, das empresas e do país no mercado internacional, bem como através de uma maior participação social dos cidadãos.
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CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO NAS POLÍTICAS PARA OS ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO
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Educação: parte indisponível do esforço para tornar as sociedades mais igualitárias, solidárias e integradas”;
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Preocupação atual do governo com o ensino fundamental;
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É o ensino fundamental que dá a formação básica para o futuro cientista, tecnólogo, técnico ou trabalhador, pois a introdução e a absorção de novas tecnologias características do novo paradigma produtivo exigem, além da formação específica, certos conhecimentos básicos e gerais.
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Um dos maiores problemas do ensino médio no Brasil e que se reflete nas suas políticas é o da sua identidade: oscila entre o ensino propedêutico, cujo objetivo é preparar o aluno para o ensino superior, e a formação profissional, que tende a ser vinculada às necessidades do mercado de trabalho.
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A educação profissional pode se efetuar em três níveis:
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básico, destinado à qualificação, requalificação e reprofissionalização de trabalhadores, independente de qualidade;
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técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos do ensino médio;
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e tecnológico, correspondente a cursos de nível superior na área tecnológica, voltados para egressos dos ensinos médio e técnico.
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Pode-se perceber que a política educacional para o ensino fundamental tem sido pensada prioritariamente na sua dimensão social, enquanto o ensino médio tem sido considerado prioritariamente na sua dimensão econômica
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CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO NAS POLÍTICAS DO ENSINO SUPERIOR E DA PESQUISA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA
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As políticas para o ensino superior têm se orientado por alguns temas: a sua diversificação; a redefinição da sua autonomia; e a avaliação de seu desempenho.
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Diversificação: saída do modelo único, possibilitando que a universidade ofereça formação científica (associando ensino e pesquisa), mas que também instituições de ensino superior possam oferecer formação profissional, tecnológica e formação de professores.
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Definição da autonomia: intenção de diminuir os controles burocráticos e normativos, garantir liberdade de organização dos serviços e execução de tarefas, estabelecendo um controle baseado na avaliação do desempenho.
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As análises recentes sobre a universidade inclinam-se para contextualizá-la dentro de uma “economia do saber”;
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Globalização;
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Transdisciplinariedade;
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Heterogeneidade institucional;
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Maior responsabilidade social do conhecimento;
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Assim, a lógica da diversificação do ensino superior vincula-se à idéia de diversificação da pesquisa universitária, sem que isso signifique, necessariamente, uma desvalorização da universidade – pelo fato de ela estar associada a outras instituições –, nem uma redução da pesquisa acadêmica – pelo fato de ela não ser a única desenvolvida no contexto universitário.
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Se, por um lado, é a busca da competitividade no mundo atual que leva à maior procura do conhecimento e da educação pela sociedade, por outro, é também a democratização da sociedade que demanda uma maior responsabilidade social do conhecimento.
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Massificação do ensino superior -> número grande demais de pesquisadores -> universidades apenas não conseguem absorvê-los -> lugares com competência em pesquisa diversificam-se.
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Brasil: comunidade científica competitiva, porém sem desenvolvimento de tecnologias.
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Proposta de modelo misto desenvolvimento científico tecnológico – união do mercado econômico-social ao mercado acadêmico.
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No que se refere à educação, as dimensões social e econômica não são necessariamente excludentes. A visão utilitarista não pode eliminar a visão humanista.
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