Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


Es mus sein
setembro 21, 2008, 2:08 am
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Ele deveria deixá-la. Era o certo a fazer, e ele sabia disso. Fechou os olhos devagar, o peso da decisão tomada fazendo-se sentir. Iria perdê-la de sua vida, e honestamente não achava que fosse recuperá-la. Ela se magoaria, magoaria demais. Se ainda o olhasse nos olhos depois do estrago feito, ele se daria por satisfeito.

Não era como se ele não a amasse mais. Sabia que a amava, de maneira mais profunda que conseguia perceber.  E sabia também que ela era louca por ele. Suspirou. Ela o amava incondicionalmente. Estava escrito nos olhos, no sorriso, na voz dela. No jeito que ela segurava a mãe dele e fazia cafuné quando estavam sozinhos.

Eles se completavam. De maneira tal que ele não conseguia visualizar-se sozinho, com defeitos e qualidades que não refletissem ou complementassem qualidades e defeitos de outra pessoa. Mas estava na hora. A situação não iria se sustentar muito tempo, e ele havia visto isso antes dela. Algo que ele sempre soube fazer: ver um pouco mais à frente.

Ele deveria deixá-la. Ele iria deixá-la. Tinha a certeza que ela ainda seria melhor amada, mais amada. Prometera para si mesmo que lidaria com a visão dela com outro homem da melhor maneira possível. Baixou a cabeça e olhou uma foto dela que tinha em mãos, uma nostalgia antecipada fazendo-se notar.



setembro 14, 2008, 6:14 pm
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Essa imensidão
e esse vazio
não me pertencem.

Fecho-me e
expando-me.
Uma sensibilidade tão grande
machuca os olhos
os ouvidos e a pele.

Maíra Carvalho