Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


Assim meio Saramago
julho 22, 2010, 4:27 pm
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Tenho medo muito medo um medo enorme do fracasso e dos riscos e da vida porque é assim que sou: eu não sei ser de outro jeito que não um sucesso absoluto e isso sempre sempre leva ao medo do fracasso e da humilhação pública entende?

Eu não sei se eu me excedo ou se me superestimo ou se simplesmente eu tenho um apetite grande demais pela vida e por tudo que eu poderia ter ver e experimentar e essa ânsia de ter e ver e provar é maior que as minhas oportunidades na vida e pior ainda, maior que as minhas capacidades na vida e consequentemente eu me proponho a fazer coisas que não consigo o que leva tudo a um problema bem freudiano de ego e traumas e crenças falsas que me foram incutidas por uma família que me amava de mais ou me entendia de menos.

O que importa é que tudo anda em círculos como a moda e a história e eu sempre acabo assim exausta e assim infeliz numa vida que eu não gostaria de ter sendo uma pessoa que eu não gostaria de ser somatizando todas as minhas agonias não expressando o que acho e escondendo quem realmente sou em prol de uma imagem pública que provavelmente me valerá de nada a longo prazo e não me trará a completude e a paz de espírito que busco.

Mas o que é essa paz de espírito e do que me vale essa paz de espírito se não sou feliz há alguns anos e já não sei o que é acreditar que coisas melhores me esperam que eu nasci pra ser grande porque nem todos nascem para ser grandes, talvez eu seja aquela que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, como Campos diria e talvez completaria dizendo que talvez eu seja aquela que nasceu só com qualidades já que o mundo é pra aqueles que o conquistam, não aqueles que sonham em conquistá-lo.

Não sei se era pra ser assim ou se todos se sentem assim menosprezados e quase que emasculados nos objetivos que colocaram pra si e nas capacidades que acreditaram ter talvez todos se sintam assim como eu e só eu que não saiba porque sou egocêntrica e mesquinha e nunca parei pra olhar talvez também eu seja dura demais comigo e tenha imaginado um cenário que nenhuma alma consiga alcançar e afinal de contas que adianta me comparar com alguém que não se pode fazer isso sem diminuir a trajetória desta outra pessoa?

Não acho que eu seja assim de grande valor mas sinto falta do tempo em que achava – não sei se ainda faço algum sentido.

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dor
agosto 4, 2008, 1:48 am
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Pergunto-me se me amarás eternamente.

Quando entre neste carro e pisei no acelerador, demorei demais a notar quão rápido estava e quantos haviam ficado para trás. Talvez esse seja o fardo que eu esteja condenada a carregar. Talvez essa história de karma tenha algum sentido.

Love them and leave them. É a verdade da qual não posso escapar. Estou destinada a isso. Olho para o horizonte à minha frente e sinto-me só. Não sei mais desacelerar, impedir o que comecei, voltar atrás. O que está feito está feito.

Escolhi essa vida, e arcarei com as consequências o mais graciosamente que puder. Estarei sempre dividida, sempre com saudades, sempre com lembranças. Sempre estrangeira. Não tenho tempo de colher o que plantei; a grama ali adiante sempre parece mais verde.

Uma vida buscando algo que não sei bem o que é. Talvez nunca chegue a saber. Não me amarás eternamente: esquecerá-te de mim, eu bem sei. A mim só me restará a estrada. A expectativa pela próxima parada também fanecerá.

Maíra Carvalho



Admito
maio 18, 2008, 11:36 pm
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Amei, admito. Amei, apaixonei-me, entreguei-me. Dei uma parte de mim sem esperar retorno – e devo admitir também que não a recebi de volta, no final das contas – para quem merecia e para quem não merecia. Já errei no meu julgamento, já fui magoada pela última pessoa que imaginava que faria isso. Desapontei muitos muitas vezes, admito. Briguei sem ter razão e menti sem necessidade. Chorei de dor, de amor, de dor de cotovelo, de mágoa. Chorei sozinha, trancada em meu quarto. Chorei no colo de quem eu confiava.

Já tive amores platônicos, admito. Quis quem não me queria, quis quem não podia querer. Beijei quem não devia e não amei quem me amava. Dei foras e levei outros. Fugi de vigilância adulta e fui a vigilância adulta de quem queria escapar. Esforcei-me por causas bobas, e deixei passar algumas causas maiores. Ouvi muitos que precisavam, mas deixei passar ocasiões em que havia grande necessidade da minha presença.

Errei, confesso. Sou cheia de troféus que não posso colocar na estante. Minha maior coleção é a de tropeços. Escondo os mais humilhantes, divido os mais cômicos, tento parecer que erro bem menos do na realidade o faço. Sou humana, merda. Não me culpe por ser quem sou.



Desabafo
maio 18, 2008, 6:28 pm
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Eu achava que amor era tua especialidade.

A verdade que demorei a descobrir é que teu negócio é o egoísmo.

A verdade que não admito é que o tempo que me iludiste (cativaste?) me parece melhor que este presente sem ti.



Ah, a praia…
abril 19, 2008, 7:00 pm
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07/03/08

Foi assim, de repente, que a saudade apareceu. Não uma saudade qualquer: uma dor intensa de quem acabou de se dar conta que perdeu a praia. Talvez tenha sido a música que ouvia enquanto lia jornal, que citava o mar constantemente; não importa. O que importa é que aqui não há areia nem mar.

A sensação sufoca. Estar cercado de milhares de quilômetros de terra não é uma coisa prazerosa de se dizer quando vem da boca de quem morou a vida inteira numa ilha. Não há escapatória. Estar num bar tomando água de coco e sentindo a areia nos pés? Nadar na água salgada, deixar-se levar pela maré, pular sete ondinhas no ano novo? Andar, correr, praticar vôlei e futebol na areia? Nem pensar.

Na verdade, a praia é mais um estilo de vida que qualquer outra coisa. Não é realmente necessário ir a praia para apreciá-la ou seguir seu estilo de vida. Nos dias mais ocupados, basta saber que o litoral está ali, por perto. Uma sexta feira à noite na praia, um domingo inteiro, ou um parar um final de tarde para ver o pôr-do-sol é mais que suficiente.

Ah, praia, sinto sua falta. Espero poder ver-te novamente em breve.



A Moment to Remember
fevereiro 18, 2008, 6:14 pm
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Engraçado como as coisas são. Como muitos já sabem, em alguns dias irei me mudar para Brasília. Nada mais lógico, portanto, que pegar de volta as últimas coisas que emprestei.

A primeira dessas visitas “vou passar aí pra te ver, e tu aproveita e me devolve (insira objeto) que te emprestei” com certeza foi algo eu possa chamar de memorável.

Eu e a tal amiga, que de agora em diante chamarei de X, estávamos sozinhas no apartamento dela. Depois de uns bons minutos procurando meu CD, ela havia achado a capa e a contra-capa. Um “ótimo progresso”, nas palavras dela: faltava apenas o CD.

Devo ressaltar que os CDs dela e os do pai são guardados juntos, em uma desorganização tão grande que estávamos abrindo capa por capa, na esperança de encontrar o meu.

Foi então que X fez o tão infeliz comentário: “não seria super engraçado se eu encontrasse um CD pornô escondido aqui nos CDs do meu pai?

Dito e feito. Escondido em uma capa de trabalho, o dito cujo. Duas mulheres de biquíni em posições eróticas na capa. Resolvemos, é claro, dar uma espiadinha. Não estávamos realmente acreditando que aquele CD estava ali, exposto a qualquer um.

Bastaram alguns segundos para desligarmos o DVD player (que, bom ressaltar, foi muito complicado de fazer funcionar) e nos arrependermos de termos assistido, obviamente. Aquele era um pornô com travestis.