Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


Inconstância
setembro 24, 2010, 11:14 pm
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Eu não sei o que dizer da minha falta de sinceridade, eu realmente não sei. Minto compulsivamente para mim mesma sobre quem sou, onde estou e para onde irei. Oscilo entre o pessimismo e o negativismo, e nunca sei quando cheguei ao realismo. Desdobro-me em mil direções tentando entender e tentando abarcar algo que não sei bem o que é, para ser sincera. Olho para os lados, compro livros em excesso, vejo filmes inadequados, tomo decisões impulsivas e nada dá muito certo e nada exatamente se encaixa.

Eu vivo uma vida de pobre, e mudo de idéia para classe média, e salto para classe média alta gastando dinheiro em jantares e qualquer produto cultural eu consiga colocar minhas mãos em. Meu consumismo é vão, porque comprar livro não traz cultura, por mais boas intenções que se tenha. Eu vivo uma vida mainstream e depois decido ser alternativa, para então decidir ser ermitã. Não sou consistente, admito. Vou e volto, inconstante.

Uma reta é o caminho mais curto e mais desinteressante entre dois pontos, então a ignoro. Mudo de interesses acadêmicos, tento abranger o mundo em algumas linhas e inevitavelmente falho. Tento ser a melhor amiga possível, mas sempre desaponto. Desenho mundos e desmundos e arquivo tudo isso sobre a mais pesada camada de esquecimento que consigo criar. Não sou muito amante de expectativas, e ainda assim me construo em cima delas.

Faço textos como esse, delirantes, desinteressantes que falam demais e de menos sobre mim. Escrevo de maneira crua e disfarçada, sem conseguir parar de me autoanalisar, como um psicólogo obcecado por seus próprios traumas. Sempre acabo voltando à meta-teoria, porque fiz de mim o que não podia e o dominó que vesti era errado (como diria o poeta).



Assim meio Saramago
julho 22, 2010, 4:27 pm
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Tenho medo muito medo um medo enorme do fracasso e dos riscos e da vida porque é assim que sou: eu não sei ser de outro jeito que não um sucesso absoluto e isso sempre sempre leva ao medo do fracasso e da humilhação pública entende?

Eu não sei se eu me excedo ou se me superestimo ou se simplesmente eu tenho um apetite grande demais pela vida e por tudo que eu poderia ter ver e experimentar e essa ânsia de ter e ver e provar é maior que as minhas oportunidades na vida e pior ainda, maior que as minhas capacidades na vida e consequentemente eu me proponho a fazer coisas que não consigo o que leva tudo a um problema bem freudiano de ego e traumas e crenças falsas que me foram incutidas por uma família que me amava de mais ou me entendia de menos.

O que importa é que tudo anda em círculos como a moda e a história e eu sempre acabo assim exausta e assim infeliz numa vida que eu não gostaria de ter sendo uma pessoa que eu não gostaria de ser somatizando todas as minhas agonias não expressando o que acho e escondendo quem realmente sou em prol de uma imagem pública que provavelmente me valerá de nada a longo prazo e não me trará a completude e a paz de espírito que busco.

Mas o que é essa paz de espírito e do que me vale essa paz de espírito se não sou feliz há alguns anos e já não sei o que é acreditar que coisas melhores me esperam que eu nasci pra ser grande porque nem todos nascem para ser grandes, talvez eu seja aquela que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, como Campos diria e talvez completaria dizendo que talvez eu seja aquela que nasceu só com qualidades já que o mundo é pra aqueles que o conquistam, não aqueles que sonham em conquistá-lo.

Não sei se era pra ser assim ou se todos se sentem assim menosprezados e quase que emasculados nos objetivos que colocaram pra si e nas capacidades que acreditaram ter talvez todos se sintam assim como eu e só eu que não saiba porque sou egocêntrica e mesquinha e nunca parei pra olhar talvez também eu seja dura demais comigo e tenha imaginado um cenário que nenhuma alma consiga alcançar e afinal de contas que adianta me comparar com alguém que não se pode fazer isso sem diminuir a trajetória desta outra pessoa?

Não acho que eu seja assim de grande valor mas sinto falta do tempo em que achava – não sei se ainda faço algum sentido.



dor
agosto 4, 2008, 1:48 am
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Pergunto-me se me amarás eternamente.

Quando entre neste carro e pisei no acelerador, demorei demais a notar quão rápido estava e quantos haviam ficado para trás. Talvez esse seja o fardo que eu esteja condenada a carregar. Talvez essa história de karma tenha algum sentido.

Love them and leave them. É a verdade da qual não posso escapar. Estou destinada a isso. Olho para o horizonte à minha frente e sinto-me só. Não sei mais desacelerar, impedir o que comecei, voltar atrás. O que está feito está feito.

Escolhi essa vida, e arcarei com as consequências o mais graciosamente que puder. Estarei sempre dividida, sempre com saudades, sempre com lembranças. Sempre estrangeira. Não tenho tempo de colher o que plantei; a grama ali adiante sempre parece mais verde.

Uma vida buscando algo que não sei bem o que é. Talvez nunca chegue a saber. Não me amarás eternamente: esquecerá-te de mim, eu bem sei. A mim só me restará a estrada. A expectativa pela próxima parada também fanecerá.

Maíra Carvalho



Manifesto
julho 27, 2008, 1:46 am
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Há coisas que vivi que não vivestes, e vice-versa. Há menos de um ano, entedíamo-nos perfeitamente. Mesmo estilo de vida, experiências semelhantes, convivência intensa. Comunicávamos com apenas um olhar. Entendimento imediato.

Então vieram as fissuras, as discussões, as brigas.

Depois veio a força do não-dito, do não-compartilhado, do não-vivido pelo outro. Espero que possamos encontrar um caminho a ser compartilhado. Uma cumplicidade que não fique opaca. Um laço que não se afrouxe.



A life you don’t live is still lost
setembro 22, 2007, 10:25 pm
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“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. (Oscar Wilde)

Viver não é para os fracos. Fazê-lo plenamente requer muita coragem, ousadia, força de vontade. Não é para qualquer um. Os covardes que se contentem em sobreviver, matar tempo até o inevitável e morrer sem ter triunfado, desfrutado e sentido grandes emoções.

Quem vive passa por ridículo, fica nervoso, dá o primeiro passo, é generoso, se entrega, se revela, defende crenças, tenta, falha, tenta mais uma vez, se dispõe a aprender, sabe que tem muito a conhecer, se interessa pelo mundo, vai à festas, dá a cara à tapa, acredita que pode, tropeça, dança, sorri, se esforça, chora, grita, erra, briga e quando chega a hora vai sabendo que aproveitou seu potencial e deu o máximo que pôde sempre que pôde.

Os covardes nunca são os primeiros a tentar, a falar, a tomar iniciativa. Preferem caminhos já percorridos, frases já feitas, situações já vivenciadas, lugares seguros, empregos seguros. Covardes fogem do ridículo, da exposição, da criatividade, dos erros. Vão com a multidão, tentando se sentir parte de algo. Fingem ser quem não são para agradar. Não sabem o que é o frio na barriga antes de pular de pára-quedas, de dar um discurso para centenas de pessoas ou de fazer uma apresentação, porque nunca fizeram isso na vida.

Quem saboreia a vida é conivente com quem a vive de maneira covarde. Estes não sabem o que estão perdendo.