Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


Admito
maio 18, 2008, 11:36 pm
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Amei, admito. Amei, apaixonei-me, entreguei-me. Dei uma parte de mim sem esperar retorno – e devo admitir também que não a recebi de volta, no final das contas – para quem merecia e para quem não merecia. Já errei no meu julgamento, já fui magoada pela última pessoa que imaginava que faria isso. Desapontei muitos muitas vezes, admito. Briguei sem ter razão e menti sem necessidade. Chorei de dor, de amor, de dor de cotovelo, de mágoa. Chorei sozinha, trancada em meu quarto. Chorei no colo de quem eu confiava.

Já tive amores platônicos, admito. Quis quem não me queria, quis quem não podia querer. Beijei quem não devia e não amei quem me amava. Dei foras e levei outros. Fugi de vigilância adulta e fui a vigilância adulta de quem queria escapar. Esforcei-me por causas bobas, e deixei passar algumas causas maiores. Ouvi muitos que precisavam, mas deixei passar ocasiões em que havia grande necessidade da minha presença.

Errei, confesso. Sou cheia de troféus que não posso colocar na estante. Minha maior coleção é a de tropeços. Escondo os mais humilhantes, divido os mais cômicos, tento parecer que erro bem menos do na realidade o faço. Sou humana, merda. Não me culpe por ser quem sou.



Desabafo
maio 18, 2008, 6:28 pm
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Eu achava que amor era tua especialidade.

A verdade que demorei a descobrir é que teu negócio é o egoísmo.

A verdade que não admito é que o tempo que me iludiste (cativaste?) me parece melhor que este presente sem ti.



Suicide notes
fevereiro 6, 2008, 3:46 pm
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Suspirei e traguei mais uma vez meu Carlson de menta, fechando os olhos ao sentir a fumaça invadir meus pulmões. A nicotina era bem vinda. O vento frio em meu rosto me trazia à realidade em cada segundo, apesar do cuidado que tivera em me agasalhar. Lembro-me bem: usava luvas e calças pretas, um sobretudo bege, sapatos sociais, e cachecol, tudo de ótima qualidade.

Olhei para baixo, e os 59 andares abaixo de mim me deram vertigens. Desde criança detestava altura. Parecia-me sempre que estava prestes a cair. Traguei o cigarro outra vez, tentando superar o medo. Talvez eu devesse descer do peitoral. Talvez não fosse a hora certa.

Não, não, eu não daria para trás. Havia esperado demais e planejado tudo de maneira minuciosa e impecável. Passara tudo para o nome daqueles que me eram queridos, redigira o testamento, vestira aquela roupa bonita e comprado minha marca de cigarros favorita.

Meu pai havia trabalhado naquele edifício muitos anos antes… Gostava de lembrar-me dele naqueles dias; os primeiros fios grisalhos, os óculos para vista cansada e a risada profunda e contagiante. Em memória àquela época genuinamente feliz eu escolhera o local. Sorri involuntariamente.

Como alguém poderia viver momentos tão harmoniosos e outros tão desesperadores? Ter um gostinho de felicidade não me servira para nada, se não para tornar meu sofrimento ainda mais dolorido.

Acendi mais um cigarro e segurei as lágrimas que ameaçavam sair. Sabia que se começasse a chorar acabaria por afundar mais uma vez em minha própria dor e voltaria atrás. O sol nascia, um espetáculo vermelho sob os arranha-céus. Ou eu fazia aquilo nos próximos minutos ou teria que ir trabalhar.



Drabbles
novembro 2, 2007, 8:44 pm
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Pare de roer as unhas. Pare. Tu estás ansioso, sob tensão e isso não é nem um pouco saudável. Alguém relaxado, calmo, não rói as unhas.

Pare de correr na vida. Tire três segundos do teu dia para respirar, faça exercício físico, leia um livro; qualquer coisa, mas pare de colocar esse dedo na boca. Tua vida passará e talvez tu nem notes, mergulhado nessa adrenalina. Pessoas sairão da tua vida e quando tu perceberes, já será tarde demais. Stress vicia, sabe. Tu acabas por adaptar-se; teu organismo demorará a reclamar.

Pare de roer as unhas, antes que seja tarde.

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Eu me pergunto se sabes o quanto eu sinto tua falta. Não tenho sequer coragem de imaginar se tu também sentes saudades de mim; seria quase prepotência de minha parte, acredito.

Fico aqui apenas, esperando ansiosamente por uma oportunidade de desfrutar de alguns meros segundos da tua companhia. Eu sei, você sabe, qualquer um nota que sentir teus olhos nos meus já me faz ganhar o dia. Que te ver sorrir, ouvir teu riso, é mais do que eu tenho a coragem de pedir.

Gostaria de poder ter tua presença no mesmo recinto que eu por 10 minutos diários somente.

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Vai, parte meu coração. Sem dó, sem piedade. Sabes que eu gosto demais de ti, então faça. Rejeite minha amizade, despreze meu afeto. E, por favor, o faça sem dizer uma palavra sequer. Deixe-me no vazio, indagando o que eu fiz para que isto acontecesse, o que eu deveria ter feito para ser melhor para ti, se o erro foi meu.

Agarre esse órgão que pulsa meu sangue e o despedace, tomando bastante cuidado para que eu nunca consiga curá-lo completamente. Vai, destrua-me. Sabes que já te dei meu coração há muito tempo, então faça o que quiser com ele.

 



And here we go again
setembro 20, 2007, 11:01 pm
Filed under: Surtos

Para algumas pessoas escrever não é uma decisão. É uma necessidade, tão básica quanto comer, rir e se relacionar. Algum conjunto mínimo de circunstâncias favoráveis liberam este instinto tão singular e num piscar de olhos para alguns, anos para outros, cria-se um escritor amador.

Esta já é a segunda tentativa de ter um blog para guardar o que já escrevi, o que escrevo e o que irei escrever, sem limitar-me a temas ou classificações. Não prometo postagens regulares ou mesmo postagens que tenham algum sentido. O que fluir, será. Veremos como as coisas ficam.