Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


Maíra recomenda
junho 1, 2009, 12:44 am
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sou apaixonada por essa música:



carta sem remetente
maio 26, 2009, 6:43 pm
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IV

Quanto teu pai e tua mãe morreram juntos, num acidente de carro, que te perdeste do mundo. Lembro bem quão devastada ficou tua irmã; nós éramos rapazes feitos, ela apenas uma moça preparando sua primeira exposição. Perdeu sete quilos e quase entrou em depressão profunda, me lembro bem.

Tu não. Eras uma fortaleza, impávido e impassível. Reconheceste os corpos e cuidaste do testamento enquanto teus tios organizavam o enterro e velavam os corpos. Sempre gostei de observar teus olhos, e me recordo que naquela época eles tornaram-se duros. Quaisquer reminiscências de tua infância se foram quando jogaram a primeira pá de terra por cima de teus progenitores.

Nesta época percebi que eras maior que a vida, que sobreviveria a muito mais que a maior parte das pessoas. Ter tua amizade sempre constituiu um esforço para mim, não sei se já te disse isso. Naqueles dias julguei ter te perdido eu também para essa dialética interna que raramente alcança a luz do dia. Por vezes penso que isso realmente aconteceu.

Tu te voltas mais para dentro a cada dia, e não sei mais o que faço. Tenho medo do dia que olharei para ti e não terei recíproca – serás um estranho, e olharei eu também para ti e meu olhar te atravessará. Temo a chegada deste dia desde que te conheci, para falar a verdade.



carta sem remetente
maio 22, 2009, 11:25 pm
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III

Tu a beija e tu não amas, mas ela não sabe disso. Elas nunca o sabem, porque não conseguem perceber o que há por trás de teus gestos. Elas passam por tua cama e não te tocam; tuas defesas são numerosas demais. Eu, pelo menos, não lembro de nenhuma mais significativa em todos estes anos.

Eu apenas observo o ir e vir, alvo de ciúmes de quase todas. Elas almejam meu lugar na tua vida, sentem-se enciumadas e deslocadas; por isso fracassam, creio eu. Tu não facilitas: essa tua enorme dificuldade de abrir espaço e deixar alguém entrar na tua vida sempre me preocupou.

Já dormi com algumas delas, para te dizer a verdade. Já noivei uma delas. Por vezes penso que ficarei sempre com as tuas sobras – admito, és muito mais interessante e fascinante que eu. Exerce sobre aqueles ao teu redor uma atração estranha, que não sei bem identificar. É inevitável, e ainda não entendo o segredo desse teu charme do qual eu já fui vítima. Éramos crianças, lembro bem, quando te vi pela primeira vez no banquinho da escola. Foste uma criança linda, já te disse isso?

Te vejo segurar a mão dela entre as tuas sem dizer nada. Sempre me pergunto como não percebem. Sorrio para ela, embora mal saiba seu nome; sempre fui muito simpático a todas. Esta também passará. Eu, pelo menos, não lembro de nenhuma que tenha ficado em tua memória poética.



300.
maio 12, 2009, 10:36 pm
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Não é amor, e nunca o foi. Foi apenas uma ilusão passageira, algo que foi tão rapidamente quanto se instalou. Não pode ser amor. Não pode, se não me ouves e não abaixa as defesas para que eu possa entrar.  Não é, se ainda me relaciono com outras pessoas e tu nem pareces notar. Não será, se continuar assim, porque não nasci para estar à espera de algo ou alguém.

O que me importa se parecia ser amor nas duas primeiras semanas, se depois disso estás indisponível?



296.
maio 10, 2009, 12:50 pm
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O silêncio por trás das tuas palavras me surpreende com frequência. Os breves segundos entre uma frase e outra dizem mais que imaginas. Achas que não percebo, mas estou mais que ciente.



271.
maio 5, 2009, 11:42 am
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Será que tu sente a minha dor? Será que quando me revelo a ti realmente me compreendes? Quando me abraças, dizendo que tudo ficará bem, teu coração fica apertado, e tens noção do que sinto?



277.
maio 5, 2009, 11:39 am
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Distancio-me de ti e nem percebes, imerso que estás em teus próprios problemas e tua própria dor. Distancio-me de ti cada vez mais, porque não tenho mais condições de lidar com os teus problemas. Peço desculpas, mas eu estou à toda velocidade e não posso parar. Tenho minhas próprias confusões a resolver. Distancio-me de ti e nem percebes, imerso que estás em teus próprios problemas e tua própria dor.