Delírios, Reflexões e Ilusões Verborrágicas


carta sem remetente

II

Tu sentes que não pertences, porque tu olhas as pessoas e te sentes um estrangeiro. Sempre foi assim. Nunca conseguiste integrar-te de verdade; pelo menos, desde os muitos anos que te conheço. Uma situação meio kafkiana, até, de se dividir entre querer escapar do quotidiano árido e da noção que nunca estiveste muito inserido nele. Não que eu saiba muito de Kafka, claro, longe de mim querer afirmar isso; mas acho que tenho uma pitada de razão. Mesmo comigo, em todo esse tempo – acho que sou o mais próximo que já chegaste de verdadeiras relações humanas.

Gosto muito de ti, sabe, mas não te entendo na maior parte do tempo. Talvez seja isso que esteja faltando: alguém que te compreenda. Tua família te vê como um inútil revolucionário; teus colegas, como um introspectivo excêntrico; teus amores vem e vão com a brisa, nunca deixando muitas marcas – nem em ti nem em mim. Não sei se percebeste na época, mas já tive uma queda por ti. Faz muitos anos, claro, mas numa noite fria que saíamos juntos quase me declarei.

Não acho que eu o teria feito em outras cirscuntâncias, veja bem. Coragem e determinação nunca foram o meu forte. A hipótese é mais confortável, mais agradável, dá mais asas à imaginação que a dura certeza, inflexível em suas consequências e minúcias. Ainda assim, aquela noite me vem a mente e me pergunto se teria dado certo entre nós. Provavelmente não. Esses teus olhos grandes, grandes e expressivos, olham ao redor e não encontram recíproca. Sempre te sentiste um estranho. Pelo menos, desde os muitos anos que te conheço.



carta sem remetente
maio 15, 2009, 9:06 pm
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I

Deves estar cansado dessa calma e dessa escravidão; pelo menos, é o que penso eu. Não sabes de onde vem essa paz interior, que gostarias por vezes que se rompesse e deixasse transbordar algum sentimento intenso e irascível. Nem eu o sei como arranjaste essa serenidade budista tão repentinamente. Agora estás preso a ela, e não sabes livrar-te dessas amarras.

Contam-me que te sentes cada vez mais preso, atado, de movimentos cada vez mais limitados. Não sei como te consolar, o que dizer a alguém que a cada dia se sente mais tolhido por algo que não compreende. Às vezes penso que essa tua serenidade não é calma – é desespero, a agonia de quem se perde aos poucos. Eles te olham e o olhar deles te atravessa, porque eles não param para te ver.

Sonhas sonhos apocalípticos e surrealistas que ninguém entende. Salvador Dalí te invejaria; é uma pena que não possua a capacidade de organizá-los e colocá-los na tela como tua irmã. Tua inquietação atrás dessa calmaria me é patente, mas eles olham e não te compreendem. Será que eu te vejo? Meu ritmo ainda acompanha o teu?

Todo esse teu combustível me parece infinito, e és maior que a vida, honestamente. Eles não percebem, mas chegarás mais longe que qualquer um dos teus amigos, talvez até mesmo de mim. Eles te encaixam em categorias, em quadradinhos, e nada disso importa. Deves estar cansado dessa vida e dessas companhias; pelo menos, é o que penso eu.



300.
maio 12, 2009, 10:36 pm
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Não é amor, e nunca o foi. Foi apenas uma ilusão passageira, algo que foi tão rapidamente quanto se instalou. Não pode ser amor. Não pode, se não me ouves e não abaixa as defesas para que eu possa entrar.  Não é, se ainda me relaciono com outras pessoas e tu nem pareces notar. Não será, se continuar assim, porque não nasci para estar à espera de algo ou alguém.

O que me importa se parecia ser amor nas duas primeiras semanas, se depois disso estás indisponível?



296.
maio 10, 2009, 12:50 pm
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O silêncio por trás das tuas palavras me surpreende com frequência. Os breves segundos entre uma frase e outra dizem mais que imaginas. Achas que não percebo, mas estou mais que ciente.



repetição
maio 6, 2009, 10:44 pm
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Minha poesia é repetitiva.
Só sei escrever versos
para ti,
e somente para ti.

Um dia não tu serás mais assunto,
estou confiante.
Um dia não importarás mais.

Um dia, quem sabe um dia…
Serás uma doce lembrança,
e não despertarás mais esta amargura.
Estarás no passado;
um passado esquecido,
desimportante.

Sim, um dia…



271.
maio 5, 2009, 11:42 am
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Será que tu sente a minha dor? Será que quando me revelo a ti realmente me compreendes? Quando me abraças, dizendo que tudo ficará bem, teu coração fica apertado, e tens noção do que sinto?



277.
maio 5, 2009, 11:39 am
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Distancio-me de ti e nem percebes, imerso que estás em teus próprios problemas e tua própria dor. Distancio-me de ti cada vez mais, porque não tenho mais condições de lidar com os teus problemas. Peço desculpas, mas eu estou à toda velocidade e não posso parar. Tenho minhas próprias confusões a resolver. Distancio-me de ti e nem percebes, imerso que estás em teus próprios problemas e tua própria dor.